O que aprendi com a amamentação

Eu sempre sonhei em amamentar minha filha, simplesmente porque acho que faz mais sentido, afinal, se meu bebê precisa de leite para se desenvolver, que seja o meu e não de outro mamífero. É um alimento completo, saudável, feito especialmente para ela e, de quebra, nos aproxima. Também sou super partidária da amamentação prolongada (calma, não sou uma maluca que quer a criança com 5 anos pendurada no meu peito rs) mas, depois de ouvir tantos relatos de desmame precoce, por diversos motivos, resolvi me preparar e pesquisei bastante sobre o assunto. Queria estar confiante e tranquila para esse momento só meu e da Malu.

Tudo o que li me fez ver que existe bastante mito por aí, muita informação desencontrada e, principalmente, muito pediatra preguiçoso (ou mal-intencionado) doido para receitar fórmula, no primeiro sinal de dificuldade. Assim como no parto, percebi que, se eu quisesse amamentar por mais tempo, precisava estar preparada. Também fiz questão que a Maria Luiza mamasse já na primeira hora de vida, para aumentar a chance de sucesso.

Mas resolvi escrever este post para ajudar outras mães a se sentirem seguras e preparadas. Porque dificuldades existem, mas superá-las pode ser muito simples. Não sou nenhuma expert no assunto, então vou apenas contar minha experiência.

Pega correta: A famosa boca de peixinho (como na foto no final do post) esse é o ponto principal de sucesso da amamentação. O bebê precisa abocanhar não apenas o bico, mas também boa parte da auréola. Eu achei que já tinha acertado de primeira e demorei para pedir ajuda. Resultado? Seio rachado já no segundo dia. Por isso, peça ajuda, quantas vezes for preciso.

Mastite: antes do bebê nascer você pode se perguntar se vai ter leite suficiente e, depois, os seios parecem que vão explodir. O que pode resultar em ductos entupidos, inflamação, febre e dor de cabeça. Acredite, não é divertido! Até o corpo entender o quanto seu bebê mama e reduzir a produção é importante fazer 2 coisas: tirar o excedente de leite (pode ser antes do bebê mamar, para deixar os seios macios e fácil de abocanhar) e fazer compressa de água fria após a mamada, para desacelerar a produção. É também uma boa oportunidade de começar a doar leite.

Leite fraco: prepare-se, você vai ouvir bastante essa bobagem. Seja diretamente, ou ou escondido na clássica “Essa criança está chorando de fome”, não dê ouvidos. Fazer você acreditar que seu filho está passando fome e que a culpa é sua, é a maior cilada em que os palpiteiros de plantão podem te colocar. A verdade é que bebês choram. Muito. Às vezes sem motivo aparente. Por garantia se alimente direito, beba bastante água e ofereça o peito sempre. Você é capaz de nutrir o seu bebê, o resto, ignore, é mito.

Curva de crescimento: tem muito pediatra por aí que dá importância demais para um gráfico que deveria ser apenas um parâmetro. É claro que seu filho não deve perder peso (ou simplesmente não ganhar), mas tem outros pontos importantes para avaliar se está tudo bem. Bebê gordo não é sinônimo de bebê saudável! E nem todos têm que estar no mesmo ponto da curva de crescimento, conheço criança que sempre esteve abaixo da média no peso e, ainda sim, estava muito bem, obrigada. Como o nome diz é MÉDIA.

Pediatra: se o profissional escolhido não for a favor da amamentação, você terá um problema. E não adianta ele dizer que apoia e, na primeira o oportunidade te mandar para casa com uma receitinha de complemento. Se estiver com dúvida se é realmente necessário complementar, procure um banco de leite. Eles vão te ajudar (com todo carinho que você precisa) e dar dicas como, por exemplo, tirar o leite anterior (mais aguado) e oferecer primeiro o leite posterior para o bebê, que é mais calórico, para ajudar no ganho de peso.

Fórmula infantil: o famoso complemento é o primeiro passo para o desmame precoce. Meu conselho é: não tenha uma lata em casa, por precaução. Assim você não cai em tentação, naquele momento de desespero, quando o bebê parece não querer mais o peito. Vai por mim, existem vários outros motivos para seu filho chorar.

Livre demanda: consiste em, simplesmente, deixar seu filho mamar quando e o quanto quiser. Não há necessidade nenhuma de determinar horários fixos no começo, muito menos acordar o bebê para mamar à noite, caso já durma a noite inteira (se não quer mamar, é porque está satisfeito). Lembre-se que o bebê não mama apenas para se alimentar, ele mama quando está com sede, ou apenas quando quer um aconchego. Quanto mais ele mama, mais leite você produz.

Dificuldades: quando estava com 3 meses, a Malu passou a chorar muito durante a mamada, e soltava o peito a cada 2 segundos. Cheguei a pensar que não tinha leito suficiente. Mas descobri que ela precisava arrotar para continuar mamando. Também foi quando descobrimos que ela tinha refluxo e passei a deixá-la na vertical por meia hora, depois de mamar.
Também vai ter períodos em que o bebê mama menos, ou por menos tempo. Isso tem a ver com fases do desenvolvimento e não é culpa do leite materno. Com muita calma e paciência as coisas se ajeitam.

Água: beba muita, sempre! Parece óbvio, mas a gente esquece, com tanta coisa para fazer. Mãe que não come direito pode ter bastante leite, mãe desidratada não. It’s real!

Eu sempre digo que para amamentar é preciso coragem e dedicação. Mas é porque, infelizmente, hoje em dia existe mais pessoas para atrapalhar que para ajudar. Deixou de ser algo intuitivo e a mãe perdeu a confiança em si mesma. Espero que isso mude e que eu possa, com esse post, ajudar outras mães. =}

P.S.: pelo amor de Deus, não tome remédio para aumentar a produção de leite. Pode ser extremamente prejudicial para o bebê. Seu seio não precisa estar sempre cheio, a maior parte do leite é produzido DURANTE a mamada.

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Um comentário em “O que aprendi com a amamentação

  1. Doroty Hiratsuka Nogueira disse:

    Drika, uma ótima dica e confirmo tudo o que disse. A amamentação é uma relação muito importante e linda de mãe e filho. Beijos

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